A comunicação mediada por computador como ferramenta de aprendizagem colaborativa.

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1. INTRODUÇÃO

Segundo Polesel Filho (2001), a comunicação mediada pelo computador (CMC) possui diferentes funções: entretenimento, comércio, informação. É usada nas comunicações interpessoais, como meio de comunicação de massa, como suporte para fóruns e grupos de discussão, alcançando as mais variadas aplicações. No âmbito deste trabalho, estamos interessados em abordar a comunicação mediada por computador que parte de um indivíduo para um outro ou de um indivíduo para um grupo em relação a aprendizagem colaborativa.

Em seu trabalho “Estudos Sociológicos”, Piaget (Teixeira Filho) afirma que “cooperar na ação é operar em comum, isto é, ajustar por meio de novas operações (qualitativas ou métricas) de correspondência, reciprocidade ou complementaridade, as operações executadas por cada um dos parceiros.” Dessa forma, tenta-se desenvolver e estudar a CMC no âmbito da educação.

2. EMBASAMENTO

O trabalho de pesquisa centrou-se na análise de textos que pudessem proporcionar uma visão da CMC como instrumento de construção do conhecimento e de uma espécie de validação entre os pares da informação adquirida e refletida em um curso, seja ele presencial ou não.

3. OPINIÃO

A comunicação mediada por computador (CMC) assume um papel de extrema importância quando se dimensiona sua capacidade e rapidez na troca de informação, formação de opinião e troca de experiências. No âmbito educacional colaborativo, segundo Matos Coelho, a CMC designa troca textual (principalmente) interativa em redes de aprendizagem, que são constituídas por professores e estudantes, que se comunicam uns com os outros em tempo real, sincronicamente ou em tempos diferentes, seqüencial e assincronicamente.

Há várias formas desenvolvidas pela tecnologia em que essa troca pode ocorrer. Vejamos algumas, segundo o trabalho de Teixeira Primo:

1. e-mails: permite uma discussão assíncrona entre no mínimo duas pessoas, podendo expandir para várias. Certas mensagens não-verbais, como fisionomia ou entonação de voz não podem ser valorizadas em e-mails. Daí, surgem os emoticons, que oferecem pistas de como se sente o redator da mensagem.

2. Lista de discussão: é um serviço que recebe e distribui mensagens de todos os seus “assinantes”. Permite interações mútuas entre diversas pessoas. Permite discussões de muitos-para-muitos. São conhecidas como “comunidades virtuais” e dão a impressão que as pessoas se conhecem muito, mesmo sem terem jamais se encontrado.

3. Chats ou salas de bate-papo: oferecem um ambiente para a livre discussão em tempo real, ou seja, de forma síncrona. Oferecem um palco para diálogos de alta intensidade e para a aproximação de interagentes sem qualquer proximidade física.

4. Vídeo conferência: incorpora as vantagens do chat somando os recursos de emissão e visualização de imagens em vídeo dos interlocutores.

5. Quadro branco: trata-se de um programa que pretende simular o uso de um painel onde todos possam escrever e desenhar.

Em todas essas formas de comunicação, com exceção do e-mail de um-para-um, pode haver o papel do moderador, segundo Matos Coelho, tem seu papel identificado e relacionado com a forma com que os estudantes respondem e participam. O moderador tem o papel de motivar, não deixar dispersar e orientar em muitos casos as discussões. Possui um estilo pedagógico e funções organizacional, social, intelectual, técnica e a familiarização com a tecnologia de comunicação em uso.

Através do cenário acima exposto, pode-se compreender de forma mais clara a maneira pela qual a CMC pode se dar num ambiente de aprendizagem colaborativa, ou seja, as várias maneiras como os estudantes podem trocar informações e se ajudarem mutuamente no processo de validação dessa informação, contribuindo na construção do conhecimento. Mas fica a questão: funciona ou não funciona ?

Em Berge e Collins (1995), algumas pesquisas indicam como resultados que o professor conectado em rede interage mais com seus alunos do que em situações normais, sem perder contudo o contato face-a-face com seus alunos. Em Archee (1993), algumas pesquisas indicam que a CMC causa como efeito uma espécie de camaradagem entre os estudantes que os ajuda formar sua identidade, propósitos de vida e sentimento coletivo.

No entanto, essas são apenas algumas formas de se analisar a questão proposta, pois a profundidade do assunto parece inesgotável já que, por exemplo, não podemos isolar artificialmente um e-mail num laboratório e analisa-lo sem considerar aspectos sociais, políticos, religiosos, filosóficos, entre outros (December, 1995).

Porém, temos alguns indícios e pistas sobre qual caminho trilhar para obter a efetiva interação desejada no paradigma proposto pela aprendizagem colaborativa.

4. CONTRA-POSIÇÃO

Em Teixeira Primo, é dito que os webdesigners que não abrem em seus sites possibilidades de diálogo limitam a interação ao clássico modelo de transmissão de informações. Isso não é necessariamente correto, pois fatores como a inteligência artificial e agentes podem formar as respostas dinamicamente nos sites e, de uma certa forma, se adaptarem ao perfil de cada usuário, transmitindo informações dinâmicas e não estáticas.

Em Archee (1993), é dito que a habilidade para facilitar o consenso da CMC é ilusória. Acredito que isso depende muito do papel do mediador, que deve motivar os que não se expressam e nortear os que fogem do proposto, sendo dessa forma, instrumento de extrema importância no caminho do consenso.

5. BIBLIOGRAFIA

1. ARCHEE, Ray (1993). Using computer mediated communication in an educational context: educational outcomes and pedagogical lessons of computer conferencing. University of Western Sydney, 1993.
2. BERGE, Zane, COLLINS, Mauri (1995). Computer-mediated communication and the online classroom in higher education. Computer Mediated Communication Magazine, Volume 2, Number 3, 1995.
3. DECEMBER, John (1995). Transitions in studying computer-mediated communication. Computer Mediated Communication Magazine, Volume 2, Number 1, 1995.
4. MATOS COELHO, Maria Inês de. Educação a distância, comunicação mediada por computador e a comunidade de aprendizagem: explorando a prática para formação-ação de docentes. Projeto BH2-EAD-UEMG (Protem-CNPq-RNP).
5. POLESEL FILHO, Pedro (2001). A comunicação mediada pelo computador: diferentes formas de contato e aprendizagem. XXIV Congresso Brasileiro da Comunicação, 2001.
6. TEIXEIRA PRIMO, Alex Fernando. Ferramentas de interação na WEB: travestindo o ensino tradicional ou potencializando a educação através da cooperação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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